terça-feira, 1 de novembro de 2011

Curso de História - 2a. etapa UFMG e Fundação João Pinheiro
Curso de História - 2a. etapa UFMG e Fundação João Pinheiro

Prof. Newton Miranda (Newtinho)

Início - 1a. semana de novembro - 2011
Término - 2a. semana de dezembro - 2011

Abordagem do conteúdo a partir da solução de questões inéditas e dos vestibulares anteriores.

Informações - Tel 031 25517200

2a. etapa UFMG 2007 sugestão de respostas

UFMG -2ª.Etapa 2007
Sugestão de respostas
Professor Newton MIranda

QUESTÃO 01

1 –
A – Desde a Revolução Gloriosa, ocorrida no final do século XVII, a Inglaterra vivia um processo de estabilidade política baseado na afirmação do parlamentarismo e na maior sensibilidade do Estado em relação aos interesses da burguesia empreendedora.
B – A disponibilidade de mão de obra, fruto do êxodo rural provocado pelos cercamentos.. Privados de sua subsistência, em função da expansão das áreas destinadas à produção de lã, os camponeses migravam para as cidades e abasteciam as fábricas com mão de obra farta e barata.
2 –
Havia um amplo mercado consumidor para os panos ingleses. A expansão desse mercado foi facilitada por tratados vantajosos para os britânicos. Como exemplo, destaca-se o Tratado de Methuen que proporcionou o acesso dos tecidos da Inglaterra aos mercados lusitanos. Estimulada pelo consumo português, a produção têxtil inglesa cresceu e assumiu a posição de carro chefe da industrialização da Inglaterra.
QUESTÃO 02

1 –
A – Centralização do poder político nas mãos do soberano.
B – Concessão de privilégios à nobreza.
C – Consagração da teoria do direito divino do poder real.
2 – Hobbes utilizou a imagem do Leviatã, gigante mitológico, a fim de demonstrar o poder real. O soberano, mostrado como um gigante, está acima de tudo e de todos e tem a responsabilidade de garantir a ordem e a paz no reino. Abaixo do rei, estão a cidade e o campo, além das alegorias que representam os diversos segmentos da sociedade. O corpo do rei é constituído pelos súditos, reforçando a ideia de um corpo único – rei e súditos – que forma a Nação.


QUESTÃO 03

1 –
As imagens da fotografia não estão de acordo com as palavras do brigadeiro. O que se vê na fotografia é um bando de pessoas humildes e desarmadas, entre as quais, muitas mulheres e crianças, ou seja, uma imagem muito distante de bandidos em armas, como apregoava o comandante militar. As pessoas na fotografia eram sertanejos excluídos, cuja miséria era sistematicamente ignorada pelo governo brasileiro.
2 –
A – Os sertanejos, liderados por Antônio Conselheiro, eram considerados monarquistas, na medida em que constituíram uma comunidade sagrada e fora das leis republicanas. O caráter laico da República e o fim do padroado eram condenados pelos líderes messiânicos.
B – O fanatismo religioso dos rebeldes de Canudos contrariava as bases racionais e científicas nas quais estava fundamentada a República recém instalada. Vale registrar que o positivismo era o alicerce filosófico de vários líderes republicanos, fato que aumentou significativamente o ódio das autoridades em relação aos rebeldes.

QUESTÃO 04
1 –
A – Big Stick
O governo dos Estados Unidos considerava-se líder natural das nações latino-americanas, fato que justificava as constantes intervenções militares norte-americanas na América Central.
Esta postura diplomática objetivava, em última instância, garantir os interesses econômicos e/ou estratégicos norte-americanos na região.
B – Política da Boa Vizinhança
O governo dos EUA substituiu a política intervencionista militar por uma aproximação cultural e artística que buscava reforçar o elo entre a América Latina e os norte-americanos.
A concessão de empréstimos e apoio tecnológico dos Estados Unidos para o desenvolvimento industrial latino-americano, que objetivava, também, consolidar a hegemonia dos EUA na região.



2 –
A – Big Stick
Essa política, cujo expoente é o presidente Ted Roosevelt, está inserida na expansão do imperialismo dos Estados Unidos, iniciada no final do século XIX e consolidada após a Primeira Guerra Mundial. A expansão da economia norte-americana exigia que os interesses dos EUA fossem garantidos em detrimento da ação imperialista europeia.
B – Política da Boa Vizinhança
Essa política esteve inserida no governo de Franklin Roosevelt nas décadas de 1930 e 1940. Buscou melhorar a imagem dos Estados Unidos na América Latina, a fim de conseguir recursos para combater os efeitos da Crise de 1929, além de deter a influência do fascismo e do comunismo.

QUESTÃO 05

1 – Stálin implementou na URSS uma das piores ditaduras que o mundo já viu. Iniciou um processo de expurgos que atingiu até mesmo o PCUS. A oposição foi sistematicamente eliminada. Os expurgos foram acompanhados por um crescente culto ao líder – Stalin – desenvolvido pelo governo e baseado nas tradições czaristas. Os planos estatais para feitos por Stalin desenvolveram a URSS que emergiu, como uma superpotência com um líder mais poderoso ainda.
2 - A desestalinização foi iniciada por Nikita Kruschev, líder soviético. No XX Congresso do PCUS (1956), Kruschev denunciou os expurgos e o culto ao líder praticados por Stalin. Além disso, melhorou as relações com o Ocidente e reduziu os investimentos estatais na produção militar.

QUESTÃO 06

1 – A Ação Integralista Brasileira (1932), liderada por Plínio Salgado, era fascista e, portanto, anti-comunista. O cartaz transmite a mensagem de que o braço forte da AIB irá decepar a mão tenebrosa do comunismo que ameaçava o Brasil. A oposição ideológica entre fascismo e comunismo foi um marco importante do período entre-guerras.
2 – O unipartidarismo; tal como nos movimentos fascistas, os integralistas defendiam a existência de um Estado Integral governado somente por um partido. Esse partido – AIB seria o articulador entre os interesses do povo e as ações do Estado.

QUESTÃO 07
1 – Jânio Quadros pregava uma política de austeridade e de combate à corrupção. Sua campanha visava atingir o governo de seu antecessor, JK, do PSD, partido de Lott. A vassoura simbolizava esse discurso moralizante de Jânio.
O candidato do PSD, nas eleições de 1960, era o Marechal Lott, cujo jingle, denuncia as relações da UDN – partido de Jânio Quadros – com o capital estrangeiro. Ao falar que a espada do Marechal era de aço nacional, o PSD procurava relevar o desenvolvimento econômico nacional promovido por JK
2 – Jânio Quadros venceu as eleições presidenciais com mais de cinco milhões de votos. Entretanto, renunciou em agosto de 1961, sem motivo aparente. Na verdade, Jânio pretendia utilizar a renúncia como uma estratégia para conseguir maiores poderes por parte do Congresso e dos militares, mas sem sucesso, já que sua renúncia foi aceita. O vice, João Goulart, assumiu a presidência, após grave crise política gerada pela oposição. A solução parlamentarista foi uma alternativa passageira, uma vez que as forças políticas conservadoras que não aceitaram a posse de Jango, articularam-se contra ele até derrubá-lo do poder.
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Estado moderno, monopólio legítimo da violência e choque de ordem: o governo Paes mostra sua cara.

O filósofo inglês John Locke, fiel representante do liberalismo, se coloca para o pensamento político moderno como um dos primeiros refutadores do absolutismo. Como sustentação de seu pensamento, a idéia de que é preciso garantir a existência de um governo, ou estado, que garanta a liberdade e a preservação da propriedade privada, direitos naturais do homem para Locke (1).Essas são as bases em que se coloca a formação do estado moderno. A defesa intransigente da propriedade privada. Contudo, se esta é uma característica do estado moderno, a defesa da propriedade privada, podemos encontrar com a ajuda do intelectual alemão Max Weber uma característica mais geral a respeito do estado, qual seja, “o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um determinado território” (2).Conclui-se que o papel do estado moderno, ou seja, o papel do estado dentro dos marcos do capitalismo é proteger ou garantir a propriedade privada através do monopólio do uso legítimo da violência. Mas todos os estados, ou todos os governos, são iguais, possuem as mesmas características? Atrevo-me a afirmar que não. A essência é a mesma, na medida em que estes estados estão baseados e influenciados por estruturas econômicas alicerçadas na acumulação do capital através da obtenção da mais valia, o grande segredo do capitalismo (3). Agora, o grau de intensidade com que o monopólio legítimo da violência é utilizado para garantir esta acumulação do capital pode variar de governo para governo, de acordo com a correlação de forças presente em cada estado, em cada contexto social.Podemos citar, por exemplo, o ocorrido em 2007, quando mais de 60 famílias da Via Campesina ocuparam a fazenda da multinacional suíça Syngenta Seeds em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. Apesar de a justiça ter determinado que o estado retirasse as famílias da propriedade, o governador Roberto Requião se recusou a cumprir a decisão judicial, tendo sido inclusive obrigado a pagar multa diária de cerca de R$ 2.000,00. Desta forma, o governador se colocou ao lado dos trabalhadores rurais e contra o manejo do uso legítimo da violência para a defesa da propriedade privada. O mesmo pode ser dito da governadora Ana Júlia Carepa, do Pará, que se recusou a retirar os militantes do MST que no mesmo ano de 2007 ocuparam uma estrada de ferro administrada pela Companhia Vale do Rio Doce, durante o chamado “abril vermelho”.Nos dois casos, graças à ação dos governantes, o grau de intensidade com que o estado se manifestou em defesa da propriedade privada foi reduzido. Destarte, podemos considerar estes governantes como progressistas. O que não faz com que a essência do estado seja outra que não a de todos os estados modernos.Por outro lado, podemos observar outra forma de se utilizar o estado, bem diferente dos casos supracitados. A gestão do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, já se inicia demonstrando logo na primeira semana de mandato qual o papel que a prefeitura deve cumprir: a manutenção da ordem. Leia-se manutenção da ordem como caça aos trabalhadores do mercado informal, apreensão de suas mercadorias e demolição de casas sem licença, em geral localizadas em favelas, como é o caso de Rio das Pedras, além do recolhimento de moradores de rua.À primeira vista, a secretaria municipal de ordem pública, responsável por essas ações de choque de ordem, tem conseguido angariar a simpatia da mídia carioca, como atesta as capas dos principais jornais de circulação entre a “classe média” e a “classe média-alta” (4). No entanto, esses jornais escondem o corte de classe presente nessas ações.Não há como esconder que quem possui moradia irregular em Rio das Pedras é quem não possui dinheiro para se regularizar. Não há como esconder que quem possui trabalho informal, não o faz por opção, mas sim, pois não há vagas no trabalho formal. Não há como esconder que quem mora na rua apenas o faz, pois não possui outra opção. As ações tomadas pela secretaria municipal de ordem pública se dirigem exclusivamente à classe mais pauperizada de nossa população e não à classe detentora da propriedade privada. Outras ações poderiam ser tomadas como a criação e formalização de empregos e a criação e regularização de moradias populares. Mas não é isso o que vemos na pauta do dia da prefeitura do Rio de Janeiro. Não à toa podemos classificar o prefeito Eduardo Paes no campo conservador.
Notas:
(1) Ver LOCKE, John. Segundo Tratado Sobre o Governo. São Paulo, Editora Martin Claret, 2003.
(2) Ver WEBER, Max. A política como vocação. In: Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro, LTC, 2002.
(3) Ver MARX, Karl. Salário, preço e lucro. São Paulo, Global editora, 1980.
(4) Emprego os termos “classe média” e “classe média-alta” por representarem conceitos utilizados pelo senso comum, apesar de serem inexatos, na medida em que não representam classes sociais, mas sim categorias sociais. Como bem lembra Lukacs em História e Consciência de Classe, “a divisão da sociedade em classes deve ser definida, no espírito do marxismo, pelo lugar que elas ocupam no processo de produção”.
Theófilo Rodrigues – Estudante de Ciências Sociais da PUC-Rio

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Curso de História - 2a. etapa UFMG e Fundação João Pinheiro
Curso de História - 2a. etapa UFMG e Fundação João PinheiroProf. Newton Miranda (Newtinho)Início - 1a. semana de novembro - 2011Término - 2a. semana de dezembro - 2011Abordagem do conteúdo a partir da solução de questões inéditas e dos vestibulares anteriores.Informações - Tel 031 25517200
Planos Econômicos – Nova República
Prof. Newton Miranda

PLANO CRUZADO
Lançado pelo presidente Sarney, em fevereiro de 1986, o Plano Cruzado pretendia deter a inflação, baseado nas seguintes medidas:
1. Introdução de nova moeda, o cruzado, em substituição ao cruzeiro;.
2. Conversão de todos os contratos pela média dos últimos seis meses, incluindo os salários.
3. Término da indexação.
4. Congelamento dos preços.
5. Reajuste do salário mínimo em 15%.
6. Concessão de um abono de 8% para os salários.
7. Reajuste dos salários toda a vez que a taxa de inflação acumulada chegasse a 20% (gatilho salarial).
8. Estabelecimento de taxa de câmbio fixa.
Em abril de 1986, o IGP (Índice Geral de Preços) acusou deflação de 0,58%, quando em janeiro do mesmo ano havia chegado a 17,79% e em fevereiro, a 14,98%. Mas a inflação retornou. Medida pelo IGP, em dezembro de 1986, alcançou 7,56%; em maio de 1987, atingiu 27,58%.
Em novembro de 1986, o governo lançou o Cruzado II, uma tentativa de correção de rumos, anunciado após as eleições de novembro 1986, nas quais o PMDB elegeu 22 dos 23 governadores, além de 53,4% das cadeiras da Câmara Federal. José Sarney postergou a adoção das medidas de correção do Plano Cruzado para o PMDB ganhar as eleições. Em julho de 1986, havia anunciado apenas medidas consideradas tímidas e insuficientes (‘Cruzadinho’). Sem as devidas correções, o congelamento terminou com ágio, desabastecimento e câmbio negro.
Em 20 de fevereiro de 1987, sem reservas cambiais (apenas US$ 2,8 bilhões, suficientes para pagar três meses de importação), Sarney declarou a moratória da dívida externa.
Quando declaramos a moratória numa solenidade em fevereiro de 1987, disse Sarney, pensávamos em transformá-la numa bandeira política, mas não conseguimos a solidariedade interna nem a solidariedade externa. Ficamos sós. Os EUA resolveram negociar com outros países e isolar o Brasil.
Os EUA resolveram apertar o Brasil porque reatamos relações com Cuba, porque legalizamos os partidos comunistas (...). Numa posição hostil, os norte-americanos adotaram sanções econômicas contra o Brasil, como a taxação do aço e do suco de laranja.
O Plano Bresser
Em abril de 1987, em meio à crise provocada pelo fracasso do Plano Cruzado, e com a inflação em alta, Luiz Carlos Bresser Pereira assumiu o Ministério da Fazenda do Governo Sarney.
Um mês após a sua posse a inflação atingiu o índice de 23,21%. O grande problema era o déficit público, pelo qual o governo gastava mais do arrecadava, sendo que nos primeiros quatro meses de 1987, já se havia acumulado um déficit projetado de 7,2% do PIB. Então, em junho de 1987, foi apresentado um plano econômico de emergência, o Plano Bresser, onde se instituiu o congelamento dos preços, dos aluguéis e dos salários.
Com o intuito de diminuir o déficit público algumas medidas foram tomadas, tais como: desativar o gatilho salarial, aumentar tributos, eliminar o subsídio do trigo e adiar as obras de grande porte já planejadas, entre elas o trem-bala entre São Paulo e Rio, a Ferrovia Norte-Sul e o pólo-petroquímico do Rio de Janeiro. As negociações com o FMI foram retomadas, ocorrendo a suspensão da moratória. Mesmo com todas essas medidas a inflação atingiu o índice alarmante de 366% no acumulado dos 12 meses de 1987.
O Plano Verão
Instituído em 16 de Janeiro de 1989 pelo ministro Maílson Ferreira da Nóbrega, que havia assumido o lugar de Bresser Pereira, que saiu em 1988.
Devido à crise inflacionária da década de 1980, foi editada uma lei que modificava o índice de rendimento da caderneta, promovendo ainda o congelamento dos preços e salários, a criação de uma nova moeda, o Cruzado Novo. Assim como ocorreu no Plano Bresser, o Plano Verão também gerou grandes desajustes às cadernetas de poupança, em que as perdas chegaram a 20,37%.
Plano Brasil Novo ou Plano Collor
O Plano Collor é o nome dado ao conjunto de reformas econômicas para estabilização da inflação criadas durante a presidência de Fernando Collor de Mello (1990-1992), sendo o plano estendido até 31 de julho de 1993. O plano Collor combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para estabilização da inflação. As principais medidas de estabilização da inflação foram acompanhadas de programas de reforma de comércio externo, a Política Industrial e de Comércio Exterior, mais conhecida como PICE, e um programa de privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização, mais conhecido como PND.
O Plano Collor procurava estabilizar a inflação pelo “congelamento” do passivo público (tal como o débito interno) e restringindo o fluxo de dinheiro para parar a inflação inercial.
O governo teria de garantir uma remonetização “ordenada” e “lenta”, a fim de manter a inflação para baixo. Para o controle da velocidade da remonetização, poder-se-ia utilizar uma combinação de ferramentas econômicas, tais como impostos, taxas de câmbio, crédito e taxas de juros.
O congelamento causou uma forte redução no comércio e da produção industrial. Com a redução da geração de dinheiro de 30% para 9% do PIB, a taxa anual de inflação caiu de 81% em março para 9% em junho. Em linhas gerais, as principais medidas do Plano Collor foram:
• 80% de todos os depósitos do overnight, das contas correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$ 50 mil (cruzado novo) foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano.
• Substituição da moeda corrente, o Cruzado Novo, pelo Cruzeiro, à razão de NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00
• Criação do IOF, um imposto extraordinário e único sobre as operações
financeiras, sobre todos os ativos financeiros, transações com ouro e ações e sobre todas as retiradas das contas de poupança.
• Foram congelados preços e salários, sendo determinado pelo governo, posteriormente, ajustes que eram baseados na inflação esperada.
• Eliminação de vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto sobre as grandes fortunas.
• Aumento de preços dos serviços públicos. Gás, Eletricidade, serviços postais, etc.
• Liberação do câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia brasileira em relação à concorrência externa.
• Extinção de vários institutos governamentais e anúncio de intenção do governo de demitir cerca de 360 mil funcionários públicos.
Plano Collor II
O segundo plano Collor iniciou-se em janeiro de 1991 e incluiu novos congelamentos de preços . O plano conseguiu produzir apenas um curto prazo de queda na inflação, que retornou a subir novamente. Em 10 de maio de 1991, Zélia foi substituída no Ministério da Fazenda por Marcílio Marques Moreira, que utilizou uma combinação de altas taxas de juros e uma política fiscal restritiva. Ao mesmo tempo, os preços foram liberados e um empréstimo de US$2 bilhões do FMI garantiu as reservas internas.
As taxas de inflação durante o Plano Marcílio permaneceram nos níveis da hiperinflação. Marcílio foi substituído por Gustavo Krause, em outubro de 1992. O presidente Fernando Collor de Mello já havia saído do governo devido ao processo do impeachment pelo Congresso, em 28 de setembro de 1992, por acusações de corrupção em um esquema de tráfico de influência. Entre o fim do Plano Marcílio e o começo do Plano Real, a inflação continuou a crescer, atingindo 48% em junho de 1994.
O Plano Real
O Plano Real teve o objetivo de promover a estabilização econômica, sendo iniciado em fevereiro de 1994, por meio da instituição da Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores
monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real. A idealização do projeto, a elaboração das medidas e a execução das reformas econômica e monetária contaram com a contribuição de vários economistas, reunidos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. O presidente Itamar Franco,autorizou que os trabalhos se dessem de maneira irrestrita, o que tornou o Ministro da Fazenda o homem mais forte e poderoso de seu governo, e no seu candidato natural à sua sucessão. Assim, Fernando Henrique Cardoso elegeu-se presidente do Brasil, ancorado no sucesso do Plano Real, em outubro do mesmo ano.
O Plano Real mostrou-se nos meses e anos seguintes o mais eficaz da história, reduzindo a inflação (objetivo principal), ampliando o poder de compra da população, e remodelando os setores econômicos nacionais.
Em 1º de agosto de 1993, o governo promoveu outra mudança de moeda do Brasil, de Cruzeiro para Cruzeiro Real, para efeito de ajuste de valores.
A partir de 28 de fevereiro de 1994, iniciou-se a publicação dos valores diários da Unidade Real de Valor (URV) pelo Banco Central. A URV serviria como moeda escritural, para todas as transações econômicas, com conversão obrigatória de valores.
Em 1º de julho de 1994 houve a culminância do programa de estabilização, com o lançamento da nova moeda, o Real (R$). Toda a base monetária brasileira foi trocada de acordo com a paridade legalmente estabelecida: CR$2.750,00 para cada R$1,00. A inflação acumulada até julho foi de 815,60%, e a primeira inflação registrada sob efeito da nova moeda foi de 6,08%, mínima recorde em muitos anos.
Devido a corrida inflacionária, entre 1967 e 1993 o Brasil teve moedas diferentes, a saber: Cruzeiro Novo (1967), Cruzeiro (1970), Cruzado (1986), Cruzado Novo (1989), Cruzeiro (1990) e Cruzeiro Real (1993). O resultado positivo do Plano Real tem influenciado a política econômica brasileira desde então.
Em síntese, as etapas e medidas do Plano Real foram:
1. Período de equilíbrio das contas públicas, com redução de despesas e aumento de receitas, e isto teria ocorrido nos anos de 1993/94.
2. Criação da URV (ancorada no dólar) para preservar o poder de compra da massa salarial, evitando medidas de choque como confisco de poupança e quebra de contratos.
3. Lançamento do padrão monetário de nome REAL utilizado até os dias atuais.
As etapas foram implementadas com a adoção das medidas seguintes:
• Desindexação da economia
Medida Adotada: O ajuste e reajuste de preços e valores passaram a ser anualizados e obedeceriam as planilhas de custo de produção.
Justificativa: Era necessário interromper o ciclo vicioso de corrigir valores futuros pela inflação passada, em curtos períodos de tempo. Essa atitude agravava a inflação, tornando-a cada vez maior. Era comum acontecer remarcação de preços várias vezes num mesmo dia.
• Privatizações
Medida Adotada: A troca na propriedade de grandes empresas brasileiras eliminou a obrigação pública de financiar investimentos (que causam inflação se for feito pelo governo através da emissão de moeda sem lastro) e possibilitou a modernização de tais empresas (sob controle estatal havia barreiras impeditivas para tal progresso, como burocracia e falta de recursos).
Justificativa: A iniciativa privada tem meios próprios de financiar os investimentos das empresas, e isto não produz inflação, e sim, desenvolvimento, porque não envolve o orçamento do governo. Este deve alocar recursos para outras áreas importantes. E ainda, na iniciativa privada não há as regras administrativas orçamentárias e licitatórias, que prejudicam a produção das empresas e a concorrência perante o mercado.
• Equilíbrio fiscal
Medida Adotada: Corte de despesas e aumento de cinco pontos percentuais em todos os impostos federais.
Justificativa: A máquina administrativa brasileira era muito grande e consumia muito dinheiro para funcionar. Como o país não produzia
o suficiente, decidiu-se pelo ajuste fiscal, o que incluiu cortes em investimentos, gastos públicos e demissões.
• Abertura econômica
Medida Adotada: Redução gradual de tarifas de importação e facilitação da prestação de serviços internacionais.
Justificativa: Havia temor de que o excesso de demanda por produtos e serviços causasse o desabastecimento e a remarcação de preços, pressionando a inflação (fato ocorrido durante o Plano Cruzado em 1986). Existia também a necessidade de forçar o aperfeiçoamento da indústria nacional, expondo-a à concorrência, o que permitiria o aumento da produção no longo prazo, e essa oferta maior de produtos tenderia a acarretar uma baixa nos preços.
• Políticas monetárias restritivas
Medida Adotada: Aumento da taxa básica de juros e da taxa de depósito compulsório dos bancos.
Justificativa: A taxa de juros teve inicialmente dois propósitos: financiar os gastos públicos excedentes até que se atingisse o equilíbrio fiscal, e reduzir a pressão por financiamentos, considerados agentes inflacionários (esfriamento da economia). Os financiamentos chegaram ter o prazo de quitação regulado pelo governo. O compulsório dos bancos teve o propósito de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos e financiamentos dos bancos, uma vez que são obrigados a recolher compulsoriamente uma parte dos valores ao Banco Central.
Efeitos imediatos do Plano Real
O efeito regulador do Plano Real foi imediato e muito positivo em seu propósito. A inflação calculada sobre a URV nos meses de sua vigência (abril – junho) ficou em torno de 3%, enquanto que a inflação em cruzeiros reais (CR$) foi de cerca de 190%. Até o início da circulação do real (R$), em julho de 1994, a inflação acumulada foi de 763,12% (no ano) e 5.153,50% (nos últimos 12 meses).
A inflação que antes consumia o poder aquisitivo da população brasileira, impedindo que as pessoas permanecessem com o dinheiro por muito
tempo, principalmente entre o banco e o supermercado, estava agora controlada. O consumidor de baixa renda foi o principal beneficiário.
Durante muitos anos a correção monetária foi uma salvaguarda que permitia aos brasileiros que tinham maior poder aquisitivo defender-se parcialmente da corrosão do valor nominal da moeda, com aplicações bancárias de rendimento diário como o overnight A grande maioria da população, entretanto, não tinha acesso a esses mecanismos e sofria com a desvalorização diária dos recursos recebidos como salário, aposentadoria ou pensão, sendo os maiores prejudicados com a alta inflação.
Não por acaso, após a implantação do Plano Real a taxa de consumo de itens antes “elitizados”, como o iogurte, explodiu nas classes C e D da população, sendo que entre 1993 e 1995, conforme estudos da FGV, houve uma redução de 18,47% da população miserável no país.

QUESTÕES PROPOSTAS
01. Por que os planos Cruzado e Brasil Novo são considerados heterodoxos?
02. CITE três medidas adotadas pelo governo Sarney que fizeram parte do Plano Cruzado.
03. EXPLIQUE a manutenção das medidas do Plano Cruzado até o final das eleições de 1986. Qual foi o partido político beneficiado pelo Cruzado?
04. CITE duas situações ocorridas na economia brasileira que mostraram o fracasso do Plano Cruzado. APRESENTE uma retaliação norte-americana em relação à moratória brasileira.
05. CITE uma medida que tenha sido comum nos Planos Cruzado, Brasil Novo e Real.
06. Na ótica dos valores liberais-burgueses, o Plano Brasil Novo ou Plano Collor feriu importantes princípios.
ANALISE esta afirmativa.
07. APRESENTE os principais elementos do Plano Real.
08. ANALISE o Plano Real como capital político do presidente Itamar Franco.
09. CITE duas medidas adotadas pelo presidente FHC que fizeram parte do ajuste fiscal – considerado necessário para resguardar o Plano Real.
10. Desafio!
FAÇA uma comparação entre as medidas adotadas pelo Plano Real com a solução encontrada pela República de Weimar para o combate à (hiper) inflação
SUGESTÃO DE RESPOSTAS
01. Porque foram planos caracterizados por medidas de choque econômico, por meio das quais, o Estado adotava ações extremamente intervencionistas para combater a inflação.
02. Congelamento de preços, congelamento de salários, criação de uma nova moeda – o cruzado, criação do gatilho salarial para corrigir automaticamente os salários caso a inflação atingisse alta.
03. As medidas foram consideradas impopulares e seriam prejudiciais ao governo naquele momento de eleições. Assim, o governo adotou as medidas após as eleições e garantiu vitória expressiva do PMDB.
04. A cobrança de ágio, o desabastecimento; Os Estados Unidos isolaram o Brasil e aumentaram as tarifas de importação do aço e de outros produtos brasileiros.
05. A criação de uma nova moeda.
06. O Plano comprometeu os princípios da defesa da propriedade privada e da não intervenção do Estado na economia.
07. A estabilização da economia e o combate à inflação foram feitos a partir da criação de uma nova moeda – o real –com paridade com o dólar. Além disso, o governo buscou conter os gastos públicos, aumentou os impostos, intensificou o processo de privatização,entre outros.
08. O sucesso imediato do Plano Real, com o combate à inflação e o crescimento da economia do País, que beneficiaram os segmentos sociais mais populares, contribuíram para vitória de Fernando Henrique Cardoso, ministro responsável pela adoção do Plano Real, nas eleições presidenciais de 1995.
09. Contenção de gastos públicos; aumento de impostos.
10. Abalada por uma crise econômica gravíssima, capitaneada por uma hiperinflação, a República de Weimar adotou a paridade cambial, ou seja, criou uma moeda – o novo marco – atrelada ao dólar. Da mesma forma, o Brasil adotou nova moeda – o real - ancorada no dólar. Nos dois casos, os governos conseguiram estabilizar a economia, reduzir drasticamente a inflação e retomar o crescimento.
Curso de História - 2a. etapa UFMG e Fundação João Pinheiro
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